quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mutável e perpétuo

Cabo de força
Cabo do medo
Resistir acordado
Nem que seja para apreciar o próprio fracasso
Como a própria vida que flui
É mais sábio conhecer
Ou conhecer a Teoria do Conhecimento?
Sou o vento que vôa inexpressivo
Entre as árvores
Entre os carros
Entre os prédios
Mas sou algo vivo
Que alucinadamente se move
Que resiste ao imóvel
Que resiste ao perpétuo
Mas que ao mesmo tempo vai ao seu encontro
O imutável
O que não se renova
O que não se atualiza
O que se retroalimenta eternamente
E a noção de tempo e espaço sublimou
Porém a existência expira
Uma dicotomia
Como a dicotomia entre o açucar e o sal
Necessários

Cabo de força
Cado do medo

Sou um aparelho respiratório e digestivo
Com um sistema circulatório
Com um sistema de percepção:
Visão, olfato, tato, paladar e audição
Comandados por um controle criativo
E sustentados por membros

Mutável e perpétuo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Esvanece

O contrário de chegar tarde é sair cedo
E eu penso que eu me passei
Talvez tenha nascido na hora errada
E a cama da minha mãe estava marcada
E eu nasci
Que pena não nasci para teus olhos
Apesar de tanto apreciar os olhos teus
E o meu tapete dos sonhos flutuava
E em vapores de violetas viajavas
Ao lado de nuvens e das ninfas
E no crepúsculo de um espectro que esvanece
A lembrança do inatingível
Como símbolo da busca contínua que provisoriamente te perpetua.